
Fonte: Low-Rise Residential Construction Details – Detail W27: X-Brace Detail.
Ilustração técnica utilizada para fins educacionais e de referência.
Direitos autorais pertencem aos respectivos autores/editora.
O uso de fitas metálicas diagonais como sistema de contraventamento em estruturas de Light Steel Frame é amplamente aceito e normatizado.
O problema não está no sistema, está na forma como ele vem sendo interpretado e executado em obra.
Cada vez mais se vê painéis com a fita parafusada em todos os montantes intermediários, como se isso aumentasse a resistência estrutural do conjunto.
👉 Isso é um erro conceitual grave.
📘 O que as normas realmente dizem
Tanto a ABNT NBR 16970 (Brasil) quanto as normas americanas de referência (AISI S240 / IBC) adotam exatamente o mesmo princípio estrutural:
🔹 A fita metálica:
- trabalha exclusivamente à tração
- funciona como diagonal de uma treliça plana
- transmite os esforços horizontais para as guias do painel
📌 Conclusão normativa inequívoca:
A resistência estrutural do painel contraventado por fita depende da ancoragem da fita nas guias superior e inferior, e destas à fundação.
❌ O que NÃO entra no modelo resistente
As normas são claras ao estabelecer que:
- A fixação da fita aos montantes intermediários
❌ não entra no cálculo estrutural
❌ não aumenta a capacidade resistente do painel
❌ não deve ser considerada na transferência de esforços horizontais
Nos documentos americanos, isso aparece de forma explícita:
“Intermediate stud connections shall not be relied upon to transfer lateral forces.”
Ou seja:
essas ligações não fazem parte do sistema resistente.
🔧 Então por que vemos a fita fixada nos montantes?
Porque isso é boa prática construtiva, não exigência estrutural.
A fixação intermediária pode ser usada para:
- manter a fita no plano do painel
- facilitar o tensionamento durante a montagem
- evitar vibração e ruído antes do fechamento
- garantir alinhamento até a instalação das placas
📌 Função construtiva, não estrutural.
Confundir essas duas coisas é onde mora o problema.
🚨 O risco real dessa interpretação equivocada
Quando projeto, execução ou fiscalização passam a:
- “contar” com os parafusos intermediários
- reduzir a importância da ancoragem nas guias
- negligenciar o caminho de carga até a fundação
o que se cria é uma falsa sensação de segurança estrutural.
E estrutura não negocia com conceitos mal definidos.
Ela responde depois, em forma de:
- deslocamentos excessivos
- ruídos permanentes
- fissuras em fechamentos
- ou falha prematura do sistema
📐 Regra técnica que deveria ser obrigatória
Se os parafusos da fita nos montantes intermediários forem removidos, o painel ainda precisa funcionar estruturalmente.
Se isso não acontece, o sistema está conceitualmente errado —
mesmo que “esteja de pé” no dia da vistoria.
🧠 Boa prática não substitui engenharia
No Steel Frame, mais do que em qualquer outro sistema:
- montagem ≠ estrutura
- prática de obra ≠ modelo resistente
- quantidade de parafusos ≠ segurança
Seguir a norma não é opcional —
é o que separa um sistema industrializado confiável de uma improvisação bem parafusada.
📌 Conclusão
O contraventamento com fita metálica é eficiente, seguro e normatizado — quando corretamente compreendido.
Ignorar o conceito de caminho de carga e “reforçar” o que não trabalha estruturalmente é um erro que precisa ser corrigido antes que vire patologia.